quarta-feira, 28 de abril de 2010

tarde

...

não é cedo demais
é tarde
é tarde que me pego pensando
em quanto tempo perdi
por quanto tempo desconheci
teus caminhos confusos e leves
por quanto tempo vivi
sem saber de teus olhos
- não poços escuros e infinitos
não abismos-pra-se-perder
mas poças de chuvas suaves
lagos rasos e férteis
onde molho os pés e conheço meu rosto
enquanto me refresco
do sol forte
tantos lugares teus
pra achar e não me perder
estradas de todas as formas
ladeiras sim que é preciso coragem
mas o trajeto é curto
e o destino é casa
- em qualquer lugar onde haja
teu cheiro
teu ombro
não é cedo demais
é tarde
é muito tarde
é tarde que eu quase comecei
a carregar bagagens
que por pouco não trouxe comigo
alguns medos
tarde que eu olho em volta
e tenho vergonha de imaginar
como a vida seria
como eu me reconheceria
sem tuas mãos ao alcance das minhas
é tarde porque todos os anos
de uma imensa e longa vida
não bastariam
pra se viver tal destino
de escolher e ser escolhido
e tirar prazer das pequenas palavras
dos grandes passos
dos dias de desejo
o desejo que jamais será consumido
a não ser que se mudem
certas leis da física
e teu corpo possa ocupar
para sempre
o mesmo espaço
que o meu

eu amo você.


...

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